De uma volta ao mundo em 24 dias a cruzeiros de uma semana em barcaça ou iate pela Borgonha e pelo Mediterrâneo — consoante a experiência —, passando por safaris tão elegantes que convidam a vestir-se a rigor para a ocasião, estas oito viagens de luxo figuram entre as mais irresistíveis do planeta.
Para o viajante experiente que parece que já ter visto e feito de tudo, surge uma questão inevitável: que nível de sofisticação será necessário para elevar a fasquia e seduzir quem, aparentemente, já tem tudo? Algumas das marcas mais exigentes no universo do luxo têm respondido a esta questão, concebendo experiências que incluem refeições dignas do Guia MICHELIN e acessos privados a locais tão emblemáticos como Machu Picchu ou as icónicas estátuas da Ilha da Páscoa.
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1. Desfrutar de uma viagem de comboio retro pela Toscana
A era dourada dos comboios evoca imagens de baús empilháveis da Louis Vuitton com monograma e de coordenados dignos de passerelle. O renascimento das viagens ferroviárias de inspiração vintage responde ao crescente interesse pelo slow travel, uma forma de viajar em que o percurso é tão importante quanto os destinos atravessados. A bordo do La Dolce Vita Orient Express, espreite pela janela da sua suíte enquanto vai de Roma até à vila toscana de Montalcino, no topo de uma colina. Ali, poderá provar vinhos locais antes de regressar ao comboio para desfrutar de outro dos grandes rituais italianos: o aperitivo.
E a noite está apenas a começar: o ponto alto é um elegante jantar no vagão-restaurante, concebido pelo chef Heinz Beck, do La Pergola (três Estrelas MICHELIN) — uma experiência que, naturalmente, também merece ser vivida quando regressar a Roma.
Outro espaço gastronómico a incluir no seu roteiro romano é o Il Ristorante – Niko Romito, do chef italiano cujo restaurante de referência, Reale, em Abruzzo, ostenta três cobiçadas Estrelas MICHELIN. Instalado no quinto piso do Bvlgari Hotel Roma (três Chaves MICHELIN), dispõe de um amplo terraço sobre o maior túmulo circular do mundo, o Mausoléu de Augusto — um cenário que só encontra rival nos célebres Spaghetti al pomodoro de Romito.
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2. Refugie‑se numa ilha privada célebre em Hollywood, na Polinésia Francesa
Quando os destinos vizinhos incluem nomes tão lendários como o Taiti e Bora Bora, as expectativas são, inevitavelmente, elevadas. Ainda assim, o The Brando — que recebe o nome do icónico ator Marlon Brando, que chegou a chamar Tetiaroa de casa depois de descobrir o atol durante as filmagens de Mutiny on the Bounty — cumpre amplamente a promessa desse luxo descontraído a que a maioria das ilhas privadas aspira.
As 35 villas do resort, com telhados de colmo, estendem‑se ao longo da praia como uma interpretação contemporânea do design tradicional da Polinésia Francesa. Da cama — ou da piscina infinita privada — o olhar perde‑se nas ondas que se quebram suavemente ao longe. E, embora não faltem as comodidades mais sofisticadas — de salas multimédia a casas de banho exteriores privadas —, o espírito relaxado do lugar convida a desfrutar de cada instante em plena ligação com a natureza.
A equipa culinária, cujo currículo inclui passagens por propriedades distinguidas com três Chaves MICHELIN, como o Cheval Blanc St. Barth Isle de France e o Le Plaza Athénée, em Paris, apresenta uma proposta gastronómica que se mantém fiel à alma polinésia, subtilmente enriquecida com refinados toques franceses.
Quando se tem uma ilha inteira só para si, as possibilidades são quase infinitas: desde piqueniques isolados à beira‑mar a cocktails ao pôr do sol num motu, um pequeno ilhéu de recife. Uma das melhores alturas para visitar é entre agosto e outubro, período em que é possível fazer snorkelling na companhia de célebres visitantes: as baleias‑jubarte.
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3. Navegar pela Borgonha a bordo de uma barcaça de charme
Desfrute dos melhores vinhos da Borgonha enquanto relaxa junto à piscina de uma barcaça de luxo — a Lilas, A Belmond Boat —, navegando lentamente pela região francesa de Beaujolais. Na viagem gastronómica Epicurean Journey, com a duração de uma semana e pensada exclusivamente para grupos de até oito pessoas, poderá somar 12 Estrelas MICHELIN ao seu percurso, jantando em algumas das mesas mais aclamadas da Borgonha, incluindo as do Maison Lameloise (três Estrelas MICHELIN) e as do Table de Levernois, célebre pelo seu lendário carrinho de queijos.
A alta gastronomia não fica por aqui: os passageiros são ainda brindados com dois menus a bordo concebidos pela chef Dominique Crenn, do Atelier Crenn, em São Francisco, distinguido com três Estrelas MICHELIN. Se preferir um piquenique gourmet, o cozinheiro da embarcação pode preparar um cesto com algumas das suas receitas favoritas para desfrutar em terra.
Embora as vias fluviais — e a gastronomia — sejam os grandes protagonistas desta experiência, é impossível ignorar o encanto da Route des Grands Crus, a emblemática rota do vinho que atravessa vinhas ondulantes e algumas das propriedades mais prestigiadas da região. Ao longo do trajeto, terá a oportunidade de provar estes vinhos de renome diretamente na origem, com paragens para provas junto de produtores locais.
E se as quatro cabines elegantemente decoradas da barcaça rivalizam com qualquer hotel de cinco estrelas, quando chegar o momento de permanecer em terra, poderá dormir no coração de uma vinha Grand Cru, no COMO Le Montrachet (uma Chave MICHELIN), onde as suítes se inspiram nas casas tradicionais das aldeias da região — com vigas de madeira imponentes e papel de parede country chic à francesa.
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4. Dançar ao som dos melhores DJs num festival requintado na Costalegre do México
Esqueça o Burning Man. Em vez do deserto — e do campismo, já agora —, deixe-se levar pela música de alguns dos DJs mais requisitados do mundo num festival que parece saído de Ibiza, mas com lotação limitada a menos de 700 pessoas e acesso apenas por convite. O código de vestuário diário do Ondalinda é um destaque por si só, a par das festas extravagantes que decorrem na selva mexicana e ao longo da costa.
Enquanto muitos festivais criam cenários de conto de fadas, o exclusivo enclave de Careyes, com as suas construções marítimas de inspiração gaudiniana, parece uma versão real de um deles. Aqui, pode ficar alojado nos Bungalows & Casitas de las Flores, distinguidos com uma Chave MICHELIN: uma coleção de villas em tons pastel, bungalós e pequenas casas situadas a poucos passos do mar.
Muito perto, o Las Alamandas, também galardoado com uma Chave MICHELIN e preferido de celebridades como Cindy Crawford e Brad Pitt, estende-se por mais de 800 hectares de natureza intocada e conta com quatro praias privadas.
Prove vinhos mexicanos enquanto desfruta de interpretações sofisticadas da cozinha regional, servidas na areia, no La Palapa Beach Club, ou sob as estrelas, no bar e lounge do terraço.
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5. Navegar pelo Mediterrâneo a bordo de um iate inspirado num hotel
Hoje em dia, uma ilha privada ou um avião já não são suficientes para as grandes marcas de hotelaria de luxo: querem também conquistar os mares. Na próxima primavera, a Aman, símbolo de sofisticação, vai levar o seu estilo minimalista e requintado a um iate de 47 suítes no Mediterrâneo.
Não há dúvidas sobre que cabine escolher a bordo do Amangati: a espaçosa Aman Suite é como uma residência flutuante. Nela, terá total privacidade graças ao seu elevador pessoal, um jacuzzi no terraço em teca e uma zona de refeições ao ar livre para 10 pessoas.
Se já ficou no hotel Aman New York, distinguido com três Chaves MICHELIN, encontrará comodidades semelhantes a bordo, bem como uma versão náutica do aclamado Jazz Club, além de uma seleção de bebidas raras no Cigar Lounge.
Chega então a verdadeira decisão: para onde zarpar?
Para as aldeias caiadas de branco da Grécia e ilhas icónicas como Mykonos? Ou para a Sicília e o Adriático, com paragem na cidade medieval de Kotor, no Montenegro?
Uma das experiências mais exclusivas é assistir aos pilotos a competir no Grande Prémio do Mónaco a partir do convés do seu próprio iate (ou, melhor dizendo, do Aman). O itinerário de ida e volta a Nice coincide com o fim de semana da corrida e segue depois para algumas das joias menos exploradas da Côte d’Azur, como Beaulieu-sur-Mer, onde pode refugiar-se ao mais puro estilo Belle Époque no La Réserve de Beaulieu.
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6. Embarcar numa expedição de luxo até ao fim do mundo
A era das grandes explorações pode ter ficado para trás há séculos, mas isso não significa que já não existam territórios verdadeiramente selvagens ou intactos por descobrir. No extremo sul da América do Sul, a Terra do Fogo é conhecida como o “Fim do Mundo” — um lugar tão remoto que a sua capital, Ushuaia, é a porta de entrada para os cruzeiros com destino à Antártida.Para uma expedição tão aventureira quanto a vivida pelo explorador português Fernão de Magalhães quando descobriu este arquipélago, a viagem cuidadosamente desenhada pela Explora através desta região da Patagónia percorre lagoas de grande altitude e fiordes repletos de glaciares. Pelo caminho, é possível avistar focas‑leopardo, elefantes‑marinhos e colónias de pinguins‑rei — espécies que nem sequer se encontram na Antártida.
Sem dúvida, esta experiência representa uma das formas mais luxuosas de viver uma expedição. Mas o verdadeiro momento de indulgência começa quando, concluída a aventura, se escolhe descobrir o outro lado da Patagónia chilena com uma estadia no Explora Torres del Paine. Trata‑se de um lodge distinguido com duas Chaves MICHELIN, que oferece vistas privilegiadas sobre cascatas monumentais e picos cobertos de neve.
Depois de tanto caminhar, merece certamente um ou dois dias de spa — e as quatro banheiras de hidromassagem ao ar livre da propriedade, com vista para o rio Paine, são ideais para aliviar qualquer tensão acumulada durante a viagem.
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7. Explorar um safari elegante na África do Sul
A designer de moda e hoteleira Liz Biden é a mente criativa por detrás de algumas das propriedades mais prestigiadas da África do Sul: desde um hotel e uma adega de inspiração provençal, entre as vinhas do Cabo, até ao The Silo, o icónico alojamento de fachada envidraçada situado no V&A Waterfront, na Cidade do Cabo. Mas, para compreender a origem deste império, é preciso recuar até à savana, no Greater Kruger, onde transformou a antiga residência familiar no Royal Malewane.Distinguido com três Chaves MICHELIN, este acampamento de luxo reúne quatro lodges e três villas privadas espalhadas pela savana, todas decoradas com uma criteriosa seleção de arte tão digna de um museu como a do Zeitz MOCAA, na Cidade do Cabo. Liz Biden comissariou aqui o que pode muito bem ser considerado uma das melhores coleções de artistas contemporâneos do país.
Uma das incorporações mais recentes é a Africa House, a propriedade original da família, hoje convertida numa exclusiva villa com seis quartos temáticos. Cada espaço foi concebido a partir de uma paleta cromática inspirada na natureza local: tons de turquesa que evocam o guarda‑rios‑malachite e laranjas queimados que remetem para os entardeceres da região.
É certo que um safari a pé oferece uma visão próxima de uma das maiores áreas protegidas de vida selvagem da África do Sul, mas uma das formas mais impressionantes de absorver as planícies de grande altitude e as cascatas da região é a partir do ar, sobrevoando o desfiladeiro do rio Blyde, um dos maiores do mundo.
Nunca é possível garantir o avistamento dos célebres “Big Five” — leão, leopardo, elefante, rinoceronte e búfalo —, mas no Royal Malewane as probabilidades — e os especialistas — jogam a seu favor. Os seus mestres trackers e uma equipa de guias de topo valeram ao lodge a alcunha de “Harvard da Savana”. E, por vezes, nem sequer é preciso ir muito longe para viver a experiência: não é raro ver elefantes a pastar tranquilamente junto à piscina.
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8. Dar a volta ao mundo a bordo de um jato privado
Para que limitar a viagem dos seus sonhos a um único destino quando pode dar a volta ao mundo em um jato privado e encadear uma experiência extraordinária após outra? A experiente equipa da Safrans du Monde construiu uma sólida reputação ao organizar itinerários que reúnem o melhor do melhor: desde o Rambagh Palace, em Jaipur, na Índia — uma antiga residência real revestida de mármore —, até ao seu próprio avião privado, onde um chef cria menus que fundem a gastronomia do país que acabou de deixar com a do próximo destino.Durante a World Tour Grands Classiques, uma travessia de 24 dias, viajará com total conforto num jato privado com capacidade para apenas 50 hóspedes. O percurso começa no Rio de Janeiro e segue até Machu Picchu — uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo —, antes de aterrar na Ilha da Páscoa para contemplar os emblemáticos moai na antiga aldeia cerimonial de Tahai. Este itinerário pelos grandes ícones do planeta acumula maismomentos inesquecíveis: dos bungalows sobre a água no The St. Regis Bora Bora Resort à grandiosidade do Taj Mahal, na Índia, sem esquecer um jantar sob as estrelas em Petra, na Jordânia.
Se se pergunta quando entra em cena a alta‑cozinha, a resposta é simples: praticamente em todas as paragens — e também no ar. Sentirá a agitação de Hanói ao percorrer as suas ruas de riquexó antes de se sentar à mesa no Hibana by Koki, restaurante distinguido com uma Estrela MICHELIN. Com um balcão intimista para apenas 14 comensais, o espaço celebra a excelência da técnica e dos sabores japoneses, com grelhados teppanyaki e carne de vaca importada em exclusivo da ilha de Ishigaki, em Okinawa.
Imagem principal: Uma estadia no lendário hotel The Brando é uma daquelas experiências incontornáveis em qualquer guia de luxo. © The Brando