People 27 Março 2026

Francisco Quintas, um jovem chef a sonhar com Estrelas

Vencedor do Prémio MICHELIN Jovem Chef 2026, o chef de 27 anos foi também determinante para que o Largo do Paço voltasse a conquistar uma Estrela MICHELIN. Agora, o objetivo é ir mais longe — porque, para Quintas, o céu ainda é o limite

Quando o Largo do Paço foi reinaugurado, em abril de 2025, após um interregno de dois anos para obras e remodelação, o novo chef da casa, o jovem Francisco Quintas, chegou cheio de entusiasmo — mas também com alguma pressão sobre os ombros. Afinal, durante décadas, uma placa do Guia MICHELIN com uma Estrela esteve pendurada na parede do restaurante da histórica Casa da Calçada, distinção que vários chefs que por ali passaram — como Ricardo Costa, Vítor Matos e Tiago Bonito, todos nomes de referência na gastronomia nacional — ajudaram a manter. A pergunta impunha-se: conseguiria ele alcançar o mesmo feito?

Quintas não só recuperou a Estrela para o restaurante em menos de um ano após a reabertura, como, de caminho, foi também distinguido com o Prémio MICHELIN Jovem Chef 2026 — um reconhecimento que destaca jovens talentos em ascensão nos países onde o Guia está presente.

O chef Francisco Quintas assumiu o Largo do Paço e, em menos de um ano de reabertura, conseguiu uma Estrela para o restaurante. © Largo do Paço
O chef Francisco Quintas assumiu o Largo do Paço e, em menos de um ano de reabertura, conseguiu uma Estrela para o restaurante. © Largo do Paço

Um talento moldado dentro e fora de portas

Aos 27 anos, o percurso do cozinheiro natural de Coimbra não se mede apenas pelos 11 meses à frente do Largo do Paço — tempo suficiente para conquistar elogios de clientes e pares —, mas por mais de uma década de dedicação à cozinha.

Com passagens por cozinhas em Inglaterra — onde trabalhou com o chef português Nuno Mendes —, Bélgica e Países Baixos, regressar a Portugal para aplicar todo o conhecimento adquirido revelou-se a escolha certa.

A conquista da Estrela para o 2Monkeys, em Lisboa, em 2024 (ao lado de Vítor Matos), e, agora, a consagração na Gala do Guia MICHELIN 2026, realizada no Funchal, na Ilha da Madeira, vieram dissipar quaisquer dúvidas. Também o sorriso que Quintas não conseguiu esconder nessa noite de março.

O chef foi distinguido com o Prémio MICHELIN Jovem Chef 2026, um galardão que destaca jovens talentos em ascensão. © Largo do Paço
O chef foi distinguido com o Prémio MICHELIN Jovem Chef 2026, um galardão que destaca jovens talentos em ascensão. © Largo do Paço

“Sempre acreditei que, se pensarmos sempre no cliente e na experiência, o resto acaba por vir. Se todos os dias melhorarmos um pouco — seja no serviço, na comida ou nos detalhes — temos a possibilidade de chegar lá”, afirma.

O prémio e a Estrela foram prova desse percurso de dedicação e consistência. “Os reconhecimentos são sempre muito bem-vindos. Não definem quem somos nem o nosso trabalho, mas ajudam-nos a acreditar ainda mais. Dão motivação para continuar e mostram que estamos no caminho certo.”

O histórico edifício da Casa da Calçada, em Amarante, onde o Largo do Paço está instalado. © William
O histórico edifício da Casa da Calçada, em Amarante, onde o Largo do Paço está instalado. © William
Após uma reforma que durou dois anos, o restaurante reabriu com novos espaços. © Luís Ferraz/Largo do Paço
Após uma reforma que durou dois anos, o restaurante reabriu com novos espaços. © Luís Ferraz/Largo do Paço

Um início promissor para uma equipa jovem

O restaurante surgiu juntamente com o hotel, em 2001, num palacete de grande importância para a charmosa cidade de Amarante, construído ainda no século XVI. “Por aqui passaram nomes consagrados e há uma história lindíssima neste espaço. Sentimos, por isso, uma responsabilidade em honrá-la e mantê-la viva”, diz o jovem cozinheiro, que trabalha acompanhado por uma equipa também pertencente às novas gerações.

“Não é só responsabilidade perante essa trajetória, mas também perante os clientes que vêm cá e pagam por uma experiência de elevado valor, chegando já com muitas expectativas”, assinala. “Acreditamos que ainda temos muito por fazer e queremos fazer muito mais. Mas é um excelente começo para um projeto tão recente e para uma equipa tão jovem.”

Para Quintas, o Guia MICHELIN “é o mais importante a nível mundial, é o que as pessoas mais seguem”, o que significa que a Estrela não era importante apenas para ele, mas para todo o projeto e para a equipa. “Reabrimos há pouco tempo e estamos ainda a dar os nossos primeiros passos, por isso este prémio acaba por ser também uma ajuda para crescer, para trazer mais clientes e mais pessoas curiosas”, afirma, recebendo a distinção como um reconhecimento do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido.

A cozinha do chef Francisco Quintas alia criatividade e rigor técnico em dois menus de degustação, um de 13 e outro de 15 momentos. © Largo do Paço
A cozinha do chef Francisco Quintas alia criatividade e rigor técnico em dois menus de degustação, um de 13 e outro de 15 momentos. © Largo do Paço

Criatividade com coerência à mesa

A proposta gastronómica organiza-se em torno de dois menus degustação (com 13 ou 15 momentos, ambos com possibilidade de harmonização) que refletem uma cozinha atual, marcada pela frescura, pela técnica e pela energia de uma equipa jovem. O resultado é um percurso coerente, equilibrado e seguro no jogo de sabores, evidente em pratos como a Gamba com leitelho, aneto e limão ou o Pregado com lula gigante, caviar e bergamota. Destacam-se ainda composições muito bem construídas, como o Lírio dos Açores com enguia fumada ou o Pregado com manteiga noisette — propostas que contribuíram para que o restaurante conquistasse a almejada Estrela MICHELIN em tão pouco tempo.

“Antes de termos a Estrela já se falava muito do restaurante. Agora, com ela, temos de estar ainda mais atentos, mais focados, e garantir que aquilo que entregamos ao cliente seja uma experiência única e inesquecível.”

As receitas de Francisco Quintas são marcadas pela frescura dos produtos, sobretudo locais, e pela confeção efetuada com energia por uma equipa jovem. © Luís Ferraz/Largo do Paço
As receitas de Francisco Quintas são marcadas pela frescura dos produtos, sobretudo locais, e pela confeção efetuada com energia por uma equipa jovem. © Luís Ferraz/Largo do Paço

A vontade de escrever mais história

Quintas reconhece também ter disciplina e ambição para alcançar os seus objetivos. “Isto, para mim, é apenas o início. Quem me conhece e trabalha comigo sabe o que quero atingir a curto e a longo prazo. Quero escrever ainda muita história e acredito que o conseguiremos com a equipa fantástica que temos”, diz, confiante. Se antes o trabalho era conquistar uma Estrela, agora a meta, segundo o chef, é colocar os limites mais acima.

“Não nos podemos conformar. Quando nos conformamos é quando começamos a cair. Por isso, temos de continuar ambiciosos e pensar sempre no próximo passo.” Se 11 meses foram suficientes para alcançar tudo isto, é fácil imaginar quão promissor poderá ainda ser o caminho do jovem chef premiado.

No palco da Gala MICHELIN Portugal, o reconhecimento de Quintas com o Prémio Jovem Chef de 2026. © Michelin
No palco da Gala MICHELIN Portugal, o reconhecimento de Quintas com o Prémio Jovem Chef de 2026. © Michelin

Esta publicação é-lhe trazida em parceria com Makro.
Esta publicação é-lhe trazida em parceria com Makro.

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